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sexta-feira, 26 de novembro de 2021

Violência assola migrantes que cruzam selva na fronteira de Colômbia e Panamá

Crise migratória: Médicos sem fronteira assiste pessoas em rota usada principalmente por haitianos, alguns vindos do Brasil

Uma quantidade crescente de migrantes tem enfrentado violência extrema ao tentar cruzar a selva Darién, na divisa entre Colômbia e Panamá. Os ataques, efetuados por grupos criminosos contra pessoas que cruzam a fronteira, são geralmente agravados por violência sexual e estupros. Médicos Sem Fronteiras (MSF) apela pelo estabelecimento de rotas de migração seguras e para que os governos protejam as famílias de migrantes das ações violentas.

Os altos níveis de violência ocorrem apesar de uma queda no número de ataques durante o mês de outubro, coincidindo com uma maior presença de tropas do SENAFRONT, a polícia de fronteiras do governo panamenho, ao longo da rota. Desde abril deste ano, equipes de MSF deram assistência a 288 vítimas de ataques sexuais na região.

Equipes médicas de MSF observam que nas últimas semanas houve uma pequena melhora nas condições físicas das pessoas que atravessam a selva Darién. A comunidade de Bajo Chiquito, no Panamá, oferece aos migrantes a opção de percorrerem a parte final do trajeto em canoas, o que encurta a jornada.

“Os migrantes que podem pagar pelo serviço conseguem fazer que a viagem até Bajo Chiquito, a primeira comunidade do lado panamenho, seja dois dias mais curta”, explica Owen Breuil, coordenador do projeto de MSF no Panamá. “Isso significa que eles não chegam em uma condição física tão debilitada quanto antes. Mas ainda observamos o impacto tremendo que os ataques têm sobre a saúde física e mental dos pacientes que estamos atendendo.”

Entre o meio de setembro e o início de outubro, a violência foi contida com uma presença mais intensa das tropas do SENAFORT na região do Darién e a transferência de uma repartição da Procuradoria para Bajo Chiquito.

“Mas essa melhora durou pouco e agora estamos observando a violência em geral e violência sexual aumentando novamente”, disse Breuil. “Por isso, estamos reiterando nosso pedido de rotas seguras e proteção para famílias de migrantes ao longo de toda rota. Estamos falando de um grupo de pessoas formado majoritariamente por famílias, com mulheres grávidas e crianças em trânsito.”

Foram oferecidas mais de 30 mil consultas médicas às pessoas que chegaram em Bajo Chiquito, no Panamá, onde MSF colabora com o Ministério da Saúde, e nos centros de recepção de migrantes em Lajas Blancas e San Vicente. Do total, cerca de 10 mil foram para crianças ou adolescentes e ao redor de 1.000 para mulheres grávidas. Os problemas mais comuns detectados incluem lesões causadas por quedas, problemas de pele ocasionados por picadas de insetos e problemas nos pés.

“A grande maioria dos migrantes que vemos são famílias de haitianos que viveram nos últimos anos no Brasil ou no Chile”, disse Breuil. “Muitos perderam os meios de subsistência por causa da pandemia e foram obrigados a rumar para o norte em busca de oportunidades.”

Os que enfrentam a selva também incluem pessoas que saíram do Haiti ou de outros países por causa da violência ou da crise econômica causada pela COVID-19. Políticas de criminalização da migração também têm obrigado as pessoas a se locomover.

“Eles não têm outra alternativa a não ser cruzar a fronteira entre Colômbia e Panamá”, afirmou Breuil. “São forçados a fazer isso pela rota mais perigosa, porque não podem pagar por outras alternativas onde ficariam menos expostos.”

Além dos cuidados médicos, MSF oferece assistência de saúde mental, extremamente necessária depois dos traumas enfrentados por aqueles que cruzam a selva. As pessoas enfrentam jornadas fisicamente extenuantes, atravessando terreno perigoso, com rios cujo nível pode subir rapidamente, morros e desfiladeiros onde é extremamente difícil orientar-se.

Frequentemente relatam terem visto cadáveres no caminho e pessoas que foram deixadas para trás, sem conseguir prosseguir. Desde o início de suas atividades, até outubro, MSF ofereceu 877 consultas individuais, e 3.475 pessoas participaram de consultas de saúde mental em grupo.

De acordo com o Departamento de Migração do Panamá, em 2021, até outubro, 121.737 migrantes haviam ingressado no país por meio da floresta Darién, 29.604 apenas no mês passado. Somente nos dez primeiros meses deste ano, mais migrantes atravessaram o local do que na soma dos últimos 11 anos.

“Trânsito livre e organizado entre os dois países é a única maneira sustentável de garantir proteção a essas pessoas”, afirmou Breuil. “Pedimos o estabelecimento urgente de rotas seguras para as famílias de migrantes e que os governos regionais ofereçam proteção contra a violência.”


ASSESSORIA DE IMPRENSA

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