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segunda-feira, 26 de abril de 2021

Região Amazônica recebe ajuda no combate ao coronavírus, para enfrentar pior momento da pandemia

Ações de apoio às famílias vão desde entrega de cestas básicas, equipamentos de proteção e hospitalares, até trabalhos de conscientização de prevenção ao contágio, por meio de campanhas de comunicação

Os casos de contaminação da Covid-19 infelizmente não param de crescer, principalmente em regiões mais afastadas, no Brasil. Uma das que mais sofreu com a doença foi o norte do país, onde se enfrentou uma das piores crises sanitárias que a pandemia trouxe, vendo seus leitos chegarem à lotação máxima, e também sofrer com a falta de oxigênio para o tratamento dos doentes.

Apesar de ter havido redução no número de mortes, ainda é preciso atenção. Com a capacidade de ação reduzida nos governos locais, a mobilização da sociedade, de empresas e organizações que atuam na região está sendo essencial para ajudar os municípios e sua população neste difícil momento.

A iniciativa "PPA Solidariedade: Respostas à COVID-19 na Amazônia" tem atuado ativamente para mitigar os impactos da pandemia na Calha Norte Paraense e articulou com parceiros como a Agenda Pública, representante do Programa Territórios Sustentáveis (PTS), a doação de itens para as secretarias municipais de saúde. São equipamentos cuja demanda foi identificada e mapeada pelos gestores públicos municipais e pela Agenda Pública e foram disponibilizados aos municípios de Faro, Oriximiná e Terra Santa, no Pará.

Além da entrega mais recente de nove concentradores de oxigênio para os municípios, itens de proteção individual, como máscaras, luvas, aventais, faceshields, pantufas descartáveis, máscaras n95, suprimentos básicos para o atendimento, entre outros, foram doados e distribuídos entre hospitais e Unidades Básicas de Saúde (UBS) para atendimento urbano e também de comunidades mais isoladas.

Desde o ano passado, a Agenda Pública, representando o PTS, vem realizando diversas ações nos três municípios para mitigar os impactos da Covid. São campanhas de comunicação para prevenção do contágio e conscientização sobre a importância da vacina para a população, além da entrega de cestas básicas e kits de higiene para comunidades ribeirinhas, indígenas e quilombolas.

"Com a situação agravada na região, a ação conjunta entre governos, sociedade civil e empresas trouxe uma solução pontual para apoiar esses municípios, a garantir a segurança alimentar de famílias e o atendimento aos doentes. Estamos no território há mais de seis anos por meio do PTS, atuando com o aprimoramento dos serviços públicos da região, mas com a situação agravada pela pandemia entramos de cabeça nas ações de combate à crise", afirma Sergio Andrade, diretor executivo da Agenda Pública.

Ao todo, foram entregues 3 mil cestas básicas nos três municípios. "A doença nos pegou de surpresa, ficamos em pânico. Atingiu as pessoas psicologicamente também. Muito obrigada por terem vindo", disse Taila Pinheiro Pantoja, moradora da região.

A distribuição das cestas foi planejada e executada com apoio local já que as comunidades são de difícil acesso. Os trajetos têm inúmeras dificuldades logísticas e foram realizados sob chuva e sol, de carro, moto, voadeiras, barcos e balsas. As ações também priorizaram a compra de itens para distribuição no comércio dos municípios, como forma de fortalecer a economia local diante do cenário de vulnerabilidade. "A priorização vai ao encontro da nossa atuação com foco no desenvolvimento econômico local das regiões. A assistência com certeza impacta na economia da comunidade, ajudando a mantê-la até ser retomado um mínimo de normalidade", diz Giovanna Cardoso, coordenadora de projetos da Agenda Pública.

As campanhas de comunicação seguem em andamento. Com uma identidade visual representativa, já atingiram 80 mil pessoas na região da Calha Norte Paraense, por meio do uso de cartazes, folders, rádios locais, carros de som e campanha de redes sociais com micro influenciadores locais.

Outro foco de atuação do projeto foi a realização de oficinas junto aos gestores públicos para o aprimoramento do serviço de saúde dos municípios de Faro, Oriximiná e Terra Santa. A partir de observações dos próprios profissionais, compreendeu-se que a coleta de dados e o fluxo de informações sobre pacientes se encontravam extremamente fragilizados e eram primordiais para o atendimento correto e eficiente dos pacientes.

"O preenchimento de formulários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, impacta todo sistema de saúde público e da Vigilância Sanitária, tanto localmente quanto com reflexos sobre o panorama da saúde nacional. Muitas vezes o paciente é atendido na UBS, mas não leva documentos. Depois vai ser atendido no hospital também sem os documentos. Não se sabe por qual médico ou enfermeiro ele passou. Muda a equipe de plantão e perdem-se as informações sobre sua condição. O paciente acaba não identificado no sistema. Isso interfere na sequência do tratamento, na medicação que deve tomar, nos dados enviados para governo estadual e federal, e assim por diante", diz Giovanna Cardoso.

Com a identificação dos problemas, notou-se a necessidade de reorganização do atendimento da saúde pública local, além da capacitação dos servidores com base no redesenho.

Ações de emergência se tornaram essenciais com a pandemia do novo coronavírus. Mas a estruturação de políticas públicas de saúde e aprimoramentos dos serviços públicos de saúde não podem deixar de ser pensados. É o que destaca Nina Best, da Palladium Group, empresa global que cria soluções para desafios sociais, econômicos e ambientais, além de ser parte da New Partnership Initiative Expand (NPI EXPAND Project) - projeto que apoia missões de avanços em serviços de saúde por meio da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) e faz parte do Projeto de Mitigação dos Impactos da Covid-19.

"A Covid na Amazônia mostrou quanto a região tem um sistema de saúde defasado. Não é surpresa, mas escancarou a necessidade de falar sobre isso", diz Nina. Ela lembra que a Calha Norte Paraense é um território sob pressão quando considerado que está distante de meios de comunicação, com barreiras logísticas, desafios de produção, comércio, renda, trabalho, entre outros. "Por isso, diagnósticos como os da Agenda Pública são essenciais para estruturação de investimentos nos municípios."

As ações na região vêm sendo possíveis por meio da iniciativa "PPA Solidariedade: Resposta à COVID-19 na Amazônia", uma parceria entre Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), NPI Expand, Plataforma Parceiros pela Amazônia (PPA), Mineração Rio do Norte (MRN) e SITAWI Finanças do Bem. O Programa Territórios Sustentáveis, representado pela Agenda Pública, com co-investimentos da Mineração do Rio do Norte, responde à Covid-19 nos municípios de Oriximiná, Terra Santa e Faro, no oeste do Pará.

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