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Filme "Currais" sobre os campos de concentração no CE chega às plataformas digitais dia 1o de abril

Em 1932, para impedir que as famílias de retirantes vítimas da seca chegassem à capital, Fortaleza, militares e elite econômica local, com o apoio do governo de Getúlio Vargas, mantiveram pessoas aprisionadas em regime de escravidão, no qual morreram dezenas de milhares na construção desta capital; numa mescla de ficção e realidade, o documentário dirigido por David Aguiar e Sabina Colares, recebeu o Prêmio Abraccine de Melhor filme de diretor estreante na 43ª Mostra Internacional de São Paulo


São Paulo- O documentário "Currais", em uma linguagem híbrida entre ficção e documentário, expõe uma das feridas mais trágicas do povo brasileiro e ainda hoje desconhecida. O filme chega aos cinemas selecionados e às plataformas digitais iTunes, Apple TV+, Google Play, YouTube Filmes, Vivo, Now e Looke a partir do dia 1º de abril. 

Veja o trailer:

Com direção de Sabina Colares e David Aguiar e distribuição da O2 Play, o filme conta como o Estado brasileiro agiu para evitar que as famílias de flagelados atingidos pela seca da década de 30 do século passado chegassem à cidade de Fortaleza, capital do Ceará. As pessoas, entre elas crianças e idosos, eram mantidas aprisionadas em campos de concentração na capital e no interior do Estado, onde eram submetidas a um regime de trabalho escravo em troca de restos de comida e, após a morte, enterradas em valas comuns. Como resultado, os campos de concentração fundaram alguns dos bairros periféricos mais violentos e de maior densidade demográfica de Fortaleza e do Brasil: o Pirambu. "Minha família é do interior do Ceará e as histórias da seca, bem como as terríveis formas de exploração do sertanejo que presenciei, me marcaram. Daí chegamos à imensa desigualdade social e violência da cidade de Fortaleza. Eu e Sabina percebemos que a maior parte dos bairros periféricos desta capital parecem ter se formado com os movimentos migracionais dos retirantes", explica David Aguiar.

"Currais" recebeu o Prêmio Abraccine (Associação Brasileira dos Críticos de Cinema) de Melhor Filme de diretor estreante durante a 43a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e percorreu outros festivais, incluindo o tradicional Cine Ceará (Prêmio de Melhor Filme Olhar do Ceará), a Mostra Competitiva de Tiradentes (MG), foi premiado no Festival de Aruanda do Audiovisual Brasileiro em João Pessoa (PB) como Melhor Direção, Direção de Fotografia, Direção de Arte e Atriz (Zezita Matos), e ainda foi premiado como Melhor Direção no Amazônia Doc (AM). Foi selecionado também para o International Documentary Film Festival de Buenos Aires, na Argentina e para o Festival Cine del Mar em Punta del Leste, no Uruguai.

Cena do documentário "Currais": Estado brasileiro agiu para evitar que as famílias de flagelados atingidos pela seca da década de 30 chegassem à capital do Ceará

Quatro anos de pesquisas

Em "Currais" acompanhamos a trajetória de Romeu, personagem fictício que viaja pelo sertão do Nordeste em busca de respostas e vestígios dos tais campos de concentração. O protagonista vai costurando memórias a partir de relatos reais, documentos e fotos.

Os diretores, após quatro anos de pesquisas, percorrem as cidades que abrigaram estes espaços onde as pessoas eram abandonadas até a morte. "Currais" é um filme de memória e afetos com personagens que deram corpo e vida à história contada nas telas. "Aí quando nos deparamos com essa situação radical de nosso País, queremos entender a nossa história, não para conhecer um passado morto, mas para compreender como essas injustiças e esses movimentos fascistas de tempos passados sobrevivem atualmente, agora. E acho que o ‘Currais’ é isso, é esse passado vivo que naturalizamos hoje, assim como os poderes dos anos 30 naturalizaram os campos de concentração", avalia o diretor.

Sinopse

Na seca de 1932, no Ceará, foram criados vários campos de concentração para aprisionar e impedir que os flagelados chegassem à cidade de Fortaleza. Militares e representantes da sociedade civil decidiram escravizá-los, legitimando os interesses da elite econômica por meio de políticas de repressão e higienização social. Remanescentes narram fragmentos de memórias e lutos interrompidos, testemunhados nos casarões em ruínas das concentrações e no culto das "almas da barragem", resistentes ao forte apagamento histórico.

Cena de "Currais": remanescentes narram fragmentos de memórias e lutos interrompidos

Ficha Técnica

Currais- 91 minutos - direção David Aguiar e Sabina Colares

Roteiro David Aguiar e Sabina Colares

Fotografia Petrus Cariry

Montagem David Aguiar, Sabina Colares, Ted Rafael

Música João Victor Barroso

Elenco Rômulo Braga, Zezita Matos, Vitor Colares, Débora Ingrid

Produtor Khalil Gibran

Produção Além Mar Filmes

Distribuição O2 Play




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