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terça-feira, 6 de outubro de 2020

Caso Bolsonaro e Toffoli: no Brasil esquerda e direita são apenas sinais de trânsito

 Bolsonaro e Toffoli se amam: durmam com essa, caros minions

A imagem captada pelas lentes da CNN Brasil, que foi compartilhada, retuítada e reproduzida incansavelmente na internet, neste domingo (4), resume dramaticamente os últimos anos da nossa história política. Nela, um acolhedor e amistoso Dias Toffoli, ministro do STF, recebe à porta de sua casa o presidente da República, Jair Bolsonaro, que abraça o anfitrião como se fosse a própria primeira-dama Micheque (ops!), Michelle, após dias sem vê-la.

Não seria nada de mais – ao contrário: em países democráticos, políticos civilizados se abraçam – se a troca de carinho, tão íntima (e sem máscaras!!), não se desse entre dois aparentes antagonistas. Toffoli, como sabido, é apadrinhado político de Lula e Zé Dirceu. Só está no Supremo por conta destes, já que, tecnicamente e por méritos próprios, sequer ser juiz de primeira instância conseguiu. Foi reprovado duas vezes em concursos.

Do outro lado, o candidato que se elegeu prometendo ser combatente duro e incansável à corrupção, ao lulopetismo e ao conchavo de bastidores. Esse “namoro”, expressão bem ao (mau) gosto bolsonarista, não é recente. Há meses, Toffoli e Bolsonaro são, como diria minha filha adolescente, BFF (best friends forever). Seus assessores mais próximos são também muito… próximos. Em Brasília, até as pedras sabem disso.

O petista, quando presidente do Supremo, numa decisão monocrática, em pleno plantão do judiciário, proferiu uma decisão que suspendeu, por quase um ano, as investigações contra o bolsokid Flávio Bolsonaro, na treta das rachadinhas. Por outro lado, em maio e abril passados, no auge da alopração golpista, Bolsonaro fazia a alegria das Sara Winter da vida, ameaçando o fechamento da Suprema Corte. Parecia ingratidão.

A militância bolsonarista nas redes ia à loucura. 

“É isso mesmo! Tem de fechar essa porra”. 

E o que dizer daquele ministro – o fujão – que em reunião ministerial defendeu a prisão dos onzes ministros do supremo. Puro jogo de cena para enganar, ainda mais, os eleitores tapados. Bolsonaro é o maior estelionatário eleitoral que este País já conheceu. Absolutamente nenhuma de suas promessas de campanha mantém-se em pé.

O amigo do Queiroz não combate a corrupção, mas, sim, a Lava Jato. Associou-se aos “ilibados” do Centrão e abandonou o liberalismo econômico. Agora, une-se a aliados petistas, nomeando-os a cargos-chave, como o Procurador Geral da República, Augusto Aras, e possivelmente Kassio Nunes Marques, seu indicado ao STF, na vaga de Celso de Mello, que antecipou a aposentadoria.

Aras e Marques são contrários à prisão após condenação em segunda instância. Ambos, também, são críticos ferrenhos à Operação Lava Jato. Além disso, são muito próximos politicamente de Gilmar Mendes e do próprio Dias Toffoli. Além de “abençoados” pelos chefões dos partidos enrolados no mensalão e no petrolão. O “MICO” foi o homem certo, no lugar certo e na hora exata. Melhor que a encomenda – para essa turma, claro.

Bolsonaro não é diferente de quem já passou pela capital federal. Não é nem melhor nem pior. É simplesmente igual! Quem apostou o contrário se estrepou. Foi enganado, como foram os petistas que acreditaram no partido. Brasília fede! Brasília cheira mal. Graças aos engravatados dos Três Poderes. Aos engravatados das estatais, das autarquias. A minha Brasília. Minha pobre Brasília. Quanta saudade do que você foi. Se é mesmo que foi.

Texto: Ricardo Bergamini

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