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Três Governadores, três processos de impeachment e um Presidente

Brasil: um país que vive o ápice do caos humano e político-social - Por  Cristiane Lopes* - Castro Digital

É notório que a gestão do Governo Federal deixa muito a desejar em várias áreas,
por exemplo, Educação, que carece de um projeto de educação e até mesmo falta o
conhecimento de como funciona, sendo o FUNDEB, exemplo maior. No Meio Ambiente,
com desmantelamento de estruturas que levaram décadas para serem implementadas, falta
de compromisso ambiental, porém alinhamento com criminosos ambientais, posto que sua
política ambiental é a de “passar a boiada”. Economia, que nunca teve objetivos claros, tão
pouco entendimento, por exemplo, votação da reforma da previdência, que o Governo votou
contra o Governo. Segurança Pública, em que o único objetivo é o armamento da
população, assumindo que o Estado não pode se impor ao crime, portanto terceirizando a
Segurança da população às práticas milicianas, exemplo, portaria assinada ainda pelo
então Ministro da Justiça Sérgio Moro, que desobriga a numeração de rastreio de armas,
assim como permitia a compra de maior quantidade de munição. Porém, sem dúvida a
Saúde é a área que mais tem sofrido devido a Pandemia da Sars-Covid2, o popular

Em tensão com Planalto, governadores marcam reunião sem Bolsonaro | Poder360
Coronavírus.
Com trocas de Ministros de Saúde, falta de políticas públicas, coordenação de
compras de insumos - equipamentos médicos, testes de coronavírus, apoio a pesquisa
científica na busca de tratamento e vacina -, padronização de protocolos sanitários a ser
seguidos por Estados, Municípios e empresas, desobrigação de assistência aos povos
indígenas - veto presidencial referente a desobrigação de o governo federal fornecer água
potável, comida e insumos médicos -, entre outras medidas no mínimo questionáveis. Desta
forma, toda esta falta do poder Executivo de executar medidas ao combate ao coronavírus
deixou governos estaduais sem coordenação e entregues a sua própria sorte. O governo
federal focou seus esforços em um medicamento quase “milagroso”, e em campanhas de
desinformação, que provocou a politização de um vírus. Por outra parte, governos estaduais
tiveram que improvisar formas de aquisição de insumos médicos, estruturas como hospitais
de campanha, contratação de pessoal, teste de coronavírus, estratégia de enfrentamento,
tanto que cada Estado tem seu protocolo, sendo diferentes uns dos outros. Neste ambiente
de baixa oferta de insumos, e com muitos governos sem pudor para gastar na compra
destes equipamentos, se deu a lei de quem pagar mais, ou oferece a melhor condição,
assim casos de corrupção seria uma consequência, vendo isto no horizonte, o Presidente
da República começou a montar seu discurso anticorrupção, e se aproveitando do poder
presidencial veio a solicitar à PF, que vigiasse cada movimento suspeito, para dar um ar de
legalidade e moralidade ao seu discurso, em contraposição aos Governadores que eram e
são os inimigos da nação, sobretudo da economia, segundo a visão do Presidente.
Atento a isto, deputados estaduais alinhados ao Presidente, logo passaram a montar
estratégias de CPI’s, para que na primeira oportunidade de investigação da Polícia Federal,
se montasse uma nova cruzada anti-corrupção, tal qual uma lava-jato, que tem boa
repercussão na opinião pública, assim como nos meios de comunicação. Logo se descobriu
que no Estado do Rio de Janeiro, houve problemas com contratos de gestão dos hospitais
de campanha, sendo assim se deflagrou em seguida uma CPI da saúde que se derivou em
um pedido de Impeachment. Igualmente no Estado do Amazonas se seguiu o mesmo
roteiro, apenas trocando os hospitais de campanha por uma empresa importadora, que
entre outras atividades importava vinho, e que se verificou contratos com práticas de preços
no mínimo duvidosos. Por fim, e seguindo esta mesma lógica, o pedido de Impeachment do
Governador de Santa Catarina, que é do PSL, partido pelo qual o Presidente veio a se
eleger e que hoje possui fortes opositores, o motivo se deu por praticar aumento salarial a
procuradores do Estado de Santa Catarina, que de acordo com quem moveu o pedido de
Impeachment, deveria passar pela a Assembleia legislativa e não em em concordância com
os procuradores, sendo quase em segredo, tal qual foi procedido. Igualmente teve auxiliares
de pasta da Saúde afastados por supostas fraudes na compra de respiradores.
As investigações da Polícia Federal e do Ministério Público segue, e cada dia, há
um novo governador na mira, sendo que último foi o Governador do Estado do Piauí.
Porém, o que estes três Governos e pedidos de Impeachment têm em comum? Em
realidade, muita coisas a começar pelo contexto atual de pandemia, que transforma o
terreno fértil para promoção de atos ilícitos com a justificativa de que vale tudo para
combater este vírus, a falta de apoio nas casas legislativas estaduais, visto que estes três
governantes não têm base de apoio nestas casas que lhes permitam formar um governo
forte, todos são governadores de primeira viagem, assim como sua primeira experiência no
mundo da política, todos se elegeram com o discurso alinhado ao do Presidente da
República, todos sofrem com a falta de apoio do Governo Federal para obter ajuda ao
combate ao coronavírus, todos são de Estados com problemas de arrecadação fiscal e nas
contas públicas antes da Pandemia, e que dados da economia já apontam, estes problemas
irão se agravar agudamente nos próximos meses.

2020 era para ser ano de eleição municipal, mas se tornou o ano da Covid-19, com
isso o palanque eleitoral mudou, e as forças políticas entenderam que o jogo mudou, e
portanto, governo estadual fraco não era bom para dar apoio, mas ótimo para dar palanque,
por isso se nota que nestes três estados as forças eleitorais usam da fragilidade destes
governantes para promoverem seus interesses. Os oposicionistas que querem chegar às
prefeituras querem espaços nas CPI´s da Saúde para promoverem suas plataformas e
ganharem destaque positivo na opinião pública, posto que o Planalto não tem contribuído
positivamente, a não ser querendo se apropriar do auxílio emergencial na busca de apoio
das pessoas mais necessitadas, que em certo ponto ajuda a quem o apoio nestes Estados.
O Governo Federal já coleciona 49 pedidos de Impeachment na Câmara Federal, e
por quê ainda não foi aberto, posto que igualmente é um governo fraco? Diferente dos
governadores, o planalto tem feito manobras bem fortes para conter tais pedidos, como por
exemplo: tentado comprar apoio com a entrega de fatias do Estado para partidos
fisiológicos do Centrão, além disso, tem poder para gerar dinheiro e aumentar gastos do
Estado Brasileiro, por meio da emissão de títulos públicos, dispositivo este que governos
estaduais não têm e por fim os generais, que fizeram um governo ultra-militar e que de
alguma forma impõe a sensação de defesa do governo federal, atualmente há 6.000
militares no Governo Federal. Por outro lado, os governos estaduais sequer têm apoio da
polícia militar, esta que é uma das corporações de eleitores de base do atual Presidente.
Em conclusão, estes três governos e seus três pedidos de Impeachment revelam
muito mais que fatos político-jurídico, revelam que a depender do tipo de governo, quem
governa e o que tem a oferecer, a política se dar de uma maneira ou outra, assim como a
justiça. Certamente não há mocinho nesta história, mas parece ser uma corrida maluca de
quem consegue ser um Dick Vigarista poderoso sem ser pego pela Lei.

Texto: Menino Anônimo

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