Pular para o conteúdo principal

Chacina da Candelária 25 anos: lembramos dessa história para que ela não se repita


No dia 23 de julho de 1993, policiais fora de serviço mataram oito crianças e jovens em situação de rua no entorno da Igreja da Candelária, no centro do Rio de Janeiro. O caso que ficou conhecidocomo Chacina da Candelária ganhou repercussão internacional. No mês seguinte, um grupo de extermínio, também formado por policiais, assassinou 21 pessoas em Vigário Geral, favela da Zona Norte da cidade. Essas chacinas, assim como a Chacina de Acari em 1990, contribuíram para estabelecer a reputação da polícia do Rio de Janeiro como uma das mais violentas do mundo.
Na época, a Anistia Internacional denunciou as violações em relatórios e campanhas e se juntou ao movimento de familiares na mobilização por justiça. Hoje, após 25 anos, policiais e outros agentes do estado ainda atuam de forma organizada através de grupos de extermínio e milícia, sendo um dos principais responsáveis pela extrema violência do Rio de Janeiro. Segundo diversas pesquisas, estes grupos passaram a ter um projeto político e seus membros a ocupar cargos públicos no aparato estatal para interesses próprios, ampliando ainda mais seu poder.
Os anos 90 também foram marcados pela alta letalidade das operações policiais. No relatório "Rio de Janeiro 2003: Candelária e Vigário Geral 10 anos depois", a Anistia Internacional alertou sobre o crescente número de pessoas mortas por policiais em serviço, em sua maioria negros e moradores de favela.
"A letalidade da polícia era estimulada por políticas como a chamada 'gratificação faroeste', espécie de prêmio financeiro por bravura que era medido inclusive pelo número de pessoas mortas, e por declarações públicas de autoridades que contribuíam para naturalizar as execuções extrajudiciais. Ao invés de orientar a polícia para proteger e preservar a vida, o estado reforçou o entendimento de que o papel da polícia era matar. Algo que perdura até os dias de hoje", afirma Jurema Werneck, diretora executiva da Anistia Internacional.
A Chacina da Candelária trouxe à tona ainda o debate sobre a numerosa população de crianças e adolescentes em situação de rua. Três anos antes, em 1990, o Brasil aprovava o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), um dos mais importantes avanços do marco legal regulatório dos direitos humanos. Desde então, apesar do avanço no marco legal, ainda há uma enorme lacuna na sua implementação pelo Estado.

Movimento de mães de familiares de vítimas da violência policial
Em reação à enorme violência dos agentes do estado, surgiu um forte movimento, o de mães e familiares de vítimas da violência policial. Organizadas no luto e na busca por justiça das três marcantes chacinas da primeira metade da década de 1990, os grupos ganharam força nos anos 2000 ampliando as redes de suporte e solidariedade.
O acolhimento entre as mães, o acompanhamento detalhado dos casos e a pressão por justiça as tornaram agentes fundamentais na mobilização por uma segurança pública que respeite direitos humanos. São mães que se caminham juntas para que a violência que ceifou a vida de seus filhos não alcance outras famílias. O movimento também denuncia o caráter estrutural e racista da atuação das forças de segurança do estado, que tem como consequência o extermínio da juventude, especialmente negra, de favelas e periferias.
Assim, este tema, que em geral é tratado com indiferença na agenda pública nacional, ganha visibilidade. Ao promover debates, marchas e atos públicos as mães e familiares de vítimas demonstram com fatos e relatos pessoais a urgência de uma nova política de segurança pública que valorize a vida.
"Todos os anos, acontecem mobilizações para lembrar a Chacina da Candelária. É fundamental que toda a sociedade se mobilize ao lado das redes de mães e familiares de vítimas da violência para romper com a lógica de guerra que pauta as políticas de segurança pública e que resulta no extermínio da juventude negra brasileira", conclui Werneck.

Serviço
O quê: Atividades do movimento Candelária Nunca Mais! nos 25 anos da Chacina da Candelária
Onde: Igreja da Candelária
Quando: Segunda, 23 de julho de 2018, a partir das 10:00
10:00 Missa e Ato Inter-religioso (Igreja da Candelária)
12:00 Caminhada em Defesa da Vida (Av. Presidente Vargas em direção à Cinelândia)
13:00 Ato Público e Cultural (Cinelândia)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Presos arrombam 'presídio' e estão à solta em Envira

Envira - Nos últimos meses os cidadãos envirenses tem observado alarmados o aumento da criminalidade em nossa tão amada cidade. Todos os dias observamos postagens nas redes sociais, status de WhatsApp e mensagens em grupos de cidadãos denunciando roubos e furtos. É preocupante pensar que Envira esteja passando por uma situação como essas: furtos, assaltos, roubos ou a cobrança de pedágios ao tentar entrar em determinados bairros e ruas. Não existe uma preferência, rouba-se veículos, smartphones, alimentos, roubas e até animais. Além de todos esses problemas ainda existe a enorme preocupação com o tráfico de drogas, a violência crescentes e a ociosidade dos jovens. As informações que temos é que após o pedido de remoção do Tenente Felipe Cerqueira (feito por ele mesmo), outros policiais que são muito queridos e bastante competentes em suas ações, também pediram remoção e estarão deixando a cidade de Envira futuramente. Nossa cidade perderá um destacamento de policiais em um momento cru

Há 2 dias jovem em situação grave aguarda regaste aéreo em Envira

Envira - Na última quinta-feira (04), o jovem Adenízio da Silva, mais conhecido como Diezon, se acidentou com uma arma de fogo. De acordo com informações repassadas pelos seus familiares, o jovem encontrava-se em uma embarcação de pesca, onde fazia a limpeza de uma arma de fogo, enquanto acidentalmente acabou apertando o gatilho da arma, que veio a disparar em seu rosto. O jovem encontra-se internado na Unidade Hospitalar do Município de Envira aguardando sua transferência para a Capital, familiares informam que ele encontra-se com a bala ainda alojada na garganta, com ferimentos graves no trato respiratório e com grande dificuldade de respirar. A família informou que desde o momento que o jovem deu entrada no hospital a equipe médica comunicou a gravidade da situação que o jovem se encontra, e que tem buscado contato com os gestores municipais solicitando ajuda, mas não tem conseguido uma resposta exata sobre quando ocorrerá a transferência do mesmo. 

Em Eirunepé-AM, PMAM captura foragido do Sistema Prisional de Envira

Indivíduo de 29 anos foi conduzido e entregue na Delegacia de Polícia de Eirunepé Eirunepé - Policiais militares da 1ª Companhia Independente de Policia Militar - CIPM, apreenderam por volta das 20h, desta terça feira (07), um meliante de 29 anos que encontrava-se foragido do Sistema Prisional de Envira, o mesmo estava escondido em uma residência no bairro de São Domingos. Os policiais detiveram o foragido após recebimento de várias denúncias informando que o mesmo se encontrava escondido na residência. Após investigação foi confirmado a denúncia, o mesmo foi preso pela guarnição da 1ª CIPM e em seguida encaminhado ao 7º DIP-AM.